terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Big Brother is always watching

Seguidos, filmados e registados. Para nossa segurança… claro… Transportes públicos, bancos, seguradoras, algumas ruas, via satélite, telemóveis ou na mais imaterial das realidades, a internet. Tudo se sabe, tudo fica registado.
Uns por opção, lançam pedaços de vida nas chamadas redes sociais, Facebook, similares ou alternativos e até neste nosso mundo dos blogues.
Sem permissão, sem cognição, ou simplesmente sem pensar, a grande massa Humana passa pela vida sem denotar que está a ser visualizado, que é possível a um estranho ter o registo da hora de entrada do Metro da Estação do Campo Grande, o respectivo tempo que lá permaneceu e saída que tomou. A hora a que pagou a portagem com o cartão multibanco ou que comprou roupa interiuor no Amoreiras, Sábado, dezoito horas, trinta minutos e cinco segundos. Saiu do parqueamento, demorou demasiado em manobras, três foram os minutos para ver a luz do dia, necessitou de doze para encontrar uma bomba de gasolina, 35 Euros, cartão de crédito, eventualmente finanças a sofrer com Inverno…
Desapareceu por poucas horas e acabou na 24 de Julho, o salto alto certamente aumentou a pressão involuntária sobre o pedal e… apanhado(a) novamente.
Jantou por 7,5 Euros, sozinho(a), um caldo verde, um néctar de pêssego e uma torta de Azeitão.
Chegou a casa, compra no Continente online uma garrafa de moscatel de Setúbal, uma caixa de gelado, chocolate marca branca. Telefonou para a Nespresso e fez uma encomenda no valor de 37 Euros. Visitou o jornal o público online, foi ao Farmville no Facebook e acabou por se deitar algo tarde…
Na segunda-feira seguinte é chamada ao gabinete do Director. É-lhe é transmitido estar sobre a alçada disciplinar por algo que escreveu no seu blogue.
Apenas momentos, viva, desperte o exibicionista que há em si…
Big Brother is watching you.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Café da manhã

 
Um momento para ser especial não tem necessariamente que ser longo, dispendioso ou acompanhado…
Café da manhã, rito de passagem para o mundo laboral, escassos minutos de gloriosa solidão. Muito, mesmo muito, especial…
Arriscando tornar esta visão numa imagem paródica, há que imaginar este instante e enquadra-lo no vosso local habitual, pendurando, ou não, pinturas pitorescas nas paredes.
De madrugada, pouco importa “a onde?”, somente o meu café e eu…
É, efectivamente, um lugar-comum e é neste pequeno universo que me encontrava quando, pela porta, entra um miúdo, pouco mais teria que 5 anos, de nacionalidade alemã, e na posse do que fora em tempos um brinquedo. Em grande agitação grita “ Das ist Kaput”, “das ist Kaput”. Imaginei imediatamente a entrada de um segundo traquinas a correr pelo estabelecimento, igualmente em grande forma e a gritar “Não fui eu”, “não fui eu”, “não fui eu”…
Nada aconteceu. Voltei a deambular pelas letras gordas do jornal.
Já sem café, retorno à Terra, estou pronto para continuar.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Pequenas divagações: A Tempestade

Poderosa, ameaçadora e ensurdecedora, a tempestade assola a noite no seu escuro véu. Rios percorrem as ruas semi-desertas de Lisboa, mas a tudo ele parece indiferente.
Encostado à parede de um prédio antigo, coberto pela tenebrosa intempérie, um individuo sem idade, sujo e andrajoso, ajoelhado e de pés nus, grita das profundezas da alma.
- O Anticristo está a chegar, estás a chegar, a besta está… – uma falha na voz, a lágrima sobrepõe-se à chuva que lhe percorre o corpo, ao mesmo tempo que vislumbra a indiferença ou a grande repulsa de quem por ele passa – Esperem! Oiçam-me! Já vi a besta da terra… já o vi…
- O caos vai-se instalar, já vi o falso profeta – rouca e profunda como a noite, sua voz projecta-se na escuridão, perdido, seus olhos semicerram-se imediatamente, como os dum animal irritado – Armagedão, o anticristo entrará em Jerusalém e se autoproclamará Deus.
- Oiçam-me, têm de me ouvir! Aqui ninguém é inocente. - Desesperadamente insano, descontrolado, leva as mãos à barba enquanto grita no vazio – Jesus não vai regressar para salvar o Mundo, é tudo mentira.
- Vem, mata-me com as tuas palavras, desafio-te… – sem esconder a decepção, deixa-se cair de exaustão, para a custo se levantar, reprimindo um novo soluço resignado e triste – A batalha já se deu e Deus perdeu-a…
De repente, estremeceu – Pára, estou a arder, deixa-me, deixa-me, não te quero.
Sente, uma vez mais, o abandono dos sentidos, apaga-se momentaneamente para a vida. Ao acordar, sente-se calmo, em seu redor apenas a mais pura das cores. Será que está morto? Está numa cama deitado, envolto em lençóis brancos. Sente-se limpo e a roupa tem um suave odor a lavado. Está sozinho, a mente ainda distante e a vista algo turva. Pela luminosidade do quarto poderia adivinhar o paraíso não fosse estar de mãos e pés atados, mas o inferno não é tão puro, pensou.
O rosto de um anjo surge sobre si, numa língua perdida, dá-lhe algo para tomar e continua suavemente seu diálogo.
Que interessa afinal onde está… não há presente ou futuro, o passado a água da chuva levou…

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Carnaval 2017

É Carnaval, vai haver festa.... todos os seus amigos, surpreendentemente, já têm o que vestir e tu ainda estás na fase do "antes sem do que com máscara"...

#eusei,amávontadetemlimites

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Who's laughing now?


A decisão de iniciar ginásio, comporta alguns trâmites, entre os quais, consulta com a nutricionista e primeiro contacto com o PT.

Os antigos costumam dizer que deus não dorme…

A verdade é que andei o santo dia a dizer ao respectivo que ia ser medido e pesado pelo PT e quem acabou por fazer tudo isso foi a nutricionista… Who’s laughing now?

50 minutos de consulta, 20 belos minutos sobre alimentação e alguns elogios nas “medições”, em especial para quem não pratica desporto faz quase duas décadas, concluídos com mais 30 deliciosos sobre viagens… claramente, o que eu gosto mesmo mesmo, é de conversa…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tu e eu, eu e tu



Fazes-me sorrir, abraço teus lábios num mundo só nosso. Com ou sem lentes, consigo ver mais além, e, por ti, meu universo pára, por ti divago e para ti sem palavras fico.
Como é possível haver quem proclame que o sol nos abandonou, quando experimento seu calor pela manhã, há quem murmure sobre uma chuva que não sinto… ou o constante queixume por um frio que não parece existir…
Vivo numa dimensão de céu azul, uma ou outra gaivota, num mar espelhado a banhar um imenso areal branco e fino. Densa e variada flora nos rodeia, eu e tu, tu e eu…
Não quero saber o que os meus vizinhos fazem, nem com quem os meus colegas dormem, não quero saber se uns compram carros e outros se vestem mal. Apenas, e tão só, quero viver uma vida, a minha tornada nossa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Borboletas


Costuma dizer-se que os animais são o reflexo do dono… no meu caso, também o carro o parece ser…

Hoje resolveu funcionar de forma deficiente pela manhã. Tudo isso eu consigo o entender, até porque não sou propriamente o que se pode apelidar de morning person, contudo, há uma diferença entre demorar a acordar, mas cumprir e demorar a carburar, mas deixar-me agarrado.

Assistência chamada, gostou do reboque e funcionou correctamente. Será da minha idade? Será da nossa já longa relação de oito anos? Terei perdido o toque?

O Tipo do reboque não era o Brad Pitt… Não faz, portanto, sentido que tenha gostado do toque dele e não do meu.

Admito ter-se assustado com a gorda da namorada do tipo, ar de enjoada e badalhoca.

Mesmo não sendo o Pitt, o pobre merecia bem melhor. Aposto que o carro sentiu-lhe o odor a grelo mal lavado.
Já na oficina revelou-se, assumiu-se e finalmente saiu do armário…

O meu carrinho lindo tem problemas de borboleta… o meu carro é gay, já o suspeitava faz uns bons anos e isso até me faz gostar dele ainda mais… mas já agora, agradecia que funcionasse…

Mecânicos feios, uma manhã da treta e ainda sem carro… #lifesucksnotinagoodway

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Suécia, Filândia... estamos mesmo a falar do quê?


Continuando com… Donald Trumpa, acabei por fazer uma pequena pesquisa sobre os atentados na Suécia imaginados pelo novo presidente dos Estados Unidos e consegui esta fotografia.
Consigo imaginar a perturbação do DT e tal como o autor deste post no twitter, tanto a Suécia, como a Finlândia, ganharam um interesse completamente renovado.

Simply the best... it's huge, tremendous

Ainda um jovem, um moço, novo, muito mais novo, não deixava escapar um único festival da canção ou da eurovisão. A qualidade sempre deixou a desejar, mas apenas havia dois canais de televisão… outros tempos.
Durante uns quantos anos acabei por esquecer da existência do mesmo, até porque, o novo formato do programa tem colocado Portugal quase sempre fora da competição europeia, ou pelo menos na Segunda divisão (ideia minha, armado em Donald Trumpa a “mandar” factos para o ar).
Este ano, pelo facebook, acabei por ir vendo tópicos a publicitar a excelência que prometiam vir a ser…
É verdade que não assisti em directo ao dito programa, mas tive a infelicidade e triste sorte de ser curioso e espreitar as extraordinárias canções pelo youtube…
Que posso dizer? Foram minutos preciosos da minha vida que nunca irei recuperar… nada do que ouvi era mau… tudo o que tive acesso era muito, mas mesmo muito mau, e o menor dos males, poderia bem passar por doente mental, pela forma como se movia, com aparente boa voz e música agradável sem ser de festival, a necessitar de uma outra roupa e quem sabe um outro corte de cabelo...
A maioria das vozes eram jovens ou eternos aspirantes a um lugar ao sol, e pelo menos nesse ponto cabe no espirito do festival.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Domingo, na preguiça, em passeio, nos copos, nas tapas, mas sempre em modo “cusco”

Um dos primeiros blogues que visitei aquando da criação do “Ilha do Sol”, foi o do Paulo. “Enfim!”, um cenário delicioso, claro que estou a falar dos bonitos chapéus de palha. Gosto, gosto tanto que até tenho um.
Como não gostar de um blogue que começa por nos mostrar o rabo e tem chapéus de palha?
Brincadeira à parte, chamou-me desde logo a atenção para uma frase exposta:
 
“Quando se tem saudades é porque a vida valeu e vale muito a pena!”
Não é por mero acaso que da palavra “Saudade” se fez o “fado”… Cada um de nós, por si, por felicidade ou infelicidade da vida, ou do destino, ou do que mais se acredite, é responsável, senão pelos maus momentos, pelo menos pelos bons… sempre fui um lutador e espero nunca perder tal característica e que nunca deixe a filha da puta da vida o levar (ver tópico anterior).
A vida não só “vale muito a pena”, como a devemos aprender a viver sem ressentimentos, a gozar o que de bom nos surge/procuramos, a multiplicidade de opções que se nos é oferecida a cada momento, a cada instante.
Viver o grande amor, a paixão que nos eleva, nos dá aquele brilhozinho nos olhos, nos faz sorrir e nos preenche.
Visitar um novo local, caminhar perdido, procurar novos cheiros e sabores.
E sempre que possível “Matar” as saudades dos amigos, da família e de tudo o que nos faz feliz, de tudo e de todos aqueles que nos fazem sentir… vivos, com a pulsação bem a ferver, com ganas de mais, de muito mais…
Com sol ou chuva, vai lá para fora ou recebe amigos/amantes, mas sobretudo, vai lá fazer por ter saudades.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Mar tudo lava, o Sol seca e o Vento volta a pentear

Quase tudo na vida é uma questão de perspectiva, do momento em que nos encontramos, das pessoas que temos, ou não, a nos rodear.
Ontem, de passagem por um blogue, um belo texto transmitia tristeza e dor por morte de um familiar em que, qual efeito bola de neve, lhe fez sentir que a vida é filha da puta e a puta é filha da vida…
Efectivamente, assim o é!
Muitos de nós temos infâncias extraordinárias e despreocupadas, outros já são confrontados com essa dura realidade mais cedo, não há como fugir, a dada altura, a puta da vida bate à porta.
Não obstante, a vida é bela e merece ser vivida com um sorriso, com garra, sair para a rua e abusar do sol, sentir o vento e beijar o mar.
Quase tudo na vida é uma questão de maturidade, de estabilidade, de gestão do nosso tempo, de agarrarmos a vida pelos cornos e gritarmos bem alto: “eu quero ser feliz e vou fazer por isso”. Nem sempre é fácil… o levantar, o sair do buraco nunca será fácil… há que acreditar, há que forçar a vontade que te leva a querer ficar em casa, há que mostrar o belo do sorriso e dar luz à alma.
Gosto de dizer que o mar tudo lava, até a alma… o sol seca e o vento volta a pentear…
Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Palavras com sexo

Quando escrevemos, poetizamos ou simplesmente maltratamos as palavras, deixamos um rasto que nos parece definir… Há quem defenda isso…
Pode ser possível observar o sexo das palavras? Passamos muito para lá do sexo dos anjos, transcendência perfeita para o mundo do desabafo, da divagação ou da mais pura das liberdades criativas.
Este é o meu primeiro texto e talvez queira que se torne uma pequena provocação.
A escrita tem sexo? Será possível deduzir, pelas palavras, que do outro lado do texto se encontra um autor ou uma autora?
Há quem assim o pense…
A base de inspiração para este texto, não teve origem directa em mim, com grande pena minha, aliás. Um amigo de infância, que também gosta de brincar com palavras e que tem a “mania” de ser poeta (risos) foi como que acusado de pertencer ao “terceiro sexo”, ao ter capacidade para escrever um belo poema.
Será que um homem passa de herero a bi só porque demonstra sentimentos e capacidade de observação? Ou será que um hétero é mesmo porco, feio e mau? Alguns são bem giros...
Confesso que no que me diz respeito, perfeitamente seguro do que sou e de quem sou, não me senti afectado pelo sexo da escrita desse meu amigo… achei graça e lancei muito certamente um sorriso misto malandro, misto maldoso, provavelmente encolhi os ombros e terei voltado a sorrir.
Serão todos os distintos escritores e escritoras de romances, policiais ou de aventura, detentores do terceiro sexo por descreverem um acto de amor ou sexual, ou simples interacção entre personagens e descreverem a “acção” numa forma que nos permite visualizar o enredo como se estivéssemos a assistir a um filme? Um homem que descreve bem um homem ou uma mulher que descreve bem uma mulher… Um homossexual ou uma lésbica não terão capacidade de escrever uma luta, uma guerra, uma tese cientifica?  Não, nada disso me parece fazer qualquer sentido…
Sexo A, B, ou C, no corrente estado de evolução parece-me errado, preconceituoso e assustador, uma regressão da nossa evolução, onde já não caçamos ursos… e onde, a sexualidade de cada um apenas diz respeito ao próprio, não definindo a pessoa que é, nem tão pouco merece relevo. podemos mostrar pela escrita que somos inteligentes, que sabemos escrever ou que simplesmente queremos passar um bom bocado e partilhar momentos com outros, sem que alguém use as nossas palavras e nos dispa para ver o sexo… ou se o quiserem… despir-me… eu até que ajudo… mas mandem fotografias de corpo inteiro… prometo fazer uma boa selecção…
Em todo o caso, se as palavras têm sexo, eu quero ter muitas… vou passar suavemente minhas mãos, dedos, língua e boca… vou tentar ser o melhor dos amantes, dos amigos, levá-las ao sétimo céu e fazê-las felizes...
Não sou um poeta, poesia nas minhas mãos pouco mais seria que um pedregulho ao luar… Assim, não necessitaria então de, como esse meu amigo, usar um aftershave mais poderoso ou palavras mais duras despidas de virtuosidade… vou usar antes um bom creme e afastar as rugas, não que as tenha...
Eu gosto de abusar das letras, pontuação e gramática…
Em todo o caso o texto já vai longo… e,
Se as palavras têm sexo, usem-nas com amor.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A ilha do sol

Muitos são os motivos que nos levam a criar um blogue, quer seja o gosto pela escrita, por partilhar momentos, imagens, pensamentos…
Faz décadas que prevêem a morte deste mundo blogueiro, mas a verdade é que you are all still here
Muitas são as razões que me levaram a criar o presente blogue, o jogo de palavras, o deambular por uma rede social diferente, o desafio per si de um texto ou de um simples desabafo.
Espero que a ilha do sol seja uma paragem, um porto de abrigo, um local despido de preconceitos, onde cada um é único e singular, irradiando luz de um sol interior.